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o Krau Krau (versão HQ)

 
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O KRAU KRAU

  O KRAU KRAU — Pai, conta a história do Krau krau ? —  Krau krau? ! —  É! aquela de quando o senhor era criança e morava nas matas e uma noite um bicho medonho e gigante, maior do que a casa, apareceu na clareira?  O velho pai deu uma risadinha sacana e perguntou: — A minha filha ainda se lembra disso? Aquela história de ninar nunca saíra da mente da menina que nascida em casa com ajuda de parteiras, na noite da última chuva do inverno amazônico, e que cresceu ouvindo as histórias do bisavô “Aprígio o índio”, que era conhecedor das matas, dos caminhos e dos rios da amazônia maranhense (e que havia enganado os karaí que por ali passaram em busca de ouro). Ou as histórias do tio Eustáquio Carueira, “preto velho dos dentes de prata” que se transformava em porco caititu, tronco de árvores e tambores.  Ou ainda da tia-avó, que morava sozinha, pois nunca casara, nem tinha filhos, e todos diziam que “virava onça”. Até mesmo as histórias do próprio pai que em uma noit...

Vô Jacinto e o el dourado

     Teu bisavô Jacinto, quando jovem, era um homem ruim. Ele entrava nas matas do Maranhão, ali por onde morava, matava 10 macacos e só comia um. Dizia que onde tem homem, urubu não passa fome. Uma vez, numa dessas caçadas, se perdeu na mata, saiu de lá 4 meses depois. O Curupira fez ele se perder para ele aprender a respeitar a mata e parar com essas ruindades. — Mas o senhor não dizia que ele era índio? E índio lá se perde em mata?  — Se perde em mata, coisa nenhuma! Ele dizia que ficou lá porque quis. Outra feita dessa, ele entrou mata adentro e voltou com uma pedra de ouro. Da pedra mandou talhar, fez um pingente e um dente, um cordão e o resto trocou tudo por cachaça e puta. Bebeu a noite todinha e contou o feito. Pagou a noitada para todo mundo, fez a festa e a alegria da galera. Depois disso apareceram uns estrangeiros indagando-o sobre onde ele tinha achado aquele ouro. Ele disse que foi à mata, que saiu para caçar catitu, seguiu o rastro deles até a beira d...

A gangorra

Eu deveria ter uns 12 anos, como naquela época não tinha a maldade de hoje, 12 anos ainda era criança. Era um curuminzinho que corria nuzinho por cima dos troncos de paus, pulava das pedras no rio, caçava... Um dia saí com meu pai pra pescar, cheio de danação correndo com cachorro, ele dizendo te aquieta e eu não ligava mesmo, o velho já ficou irritado, ele dizia que eu ia me machucar e nem ouvia.  Fui e voltei correndo. Nesse dia pegamos só umas "piabinhas", mas na volta achamos 2 jabutis, pegamos e levamos pra janta. A vida na mata era assim, a gente não acumulava comida não, não existia esse negócio de geladeira. Caçava hoje, pescava, no máximo mamãe salgava um peixe, uma carne de Catitú (porco do mato) pro outro dia e assim ia. No outro dia acordei cedo como de costume, o teu tio Temista tava fazendo uma gangorra, eu pulei  e me atrepei em cima de um girau e fiquei olhando. Ele batucou, batucou e deixou de mão. Eu teimoso, não sabia se já estava pronta fui bulinar, e...