O KRAU KRAU — Pai, conta a história do Krau krau ? — Krau krau? ! — É! aquela de quando o senhor era criança e morava nas matas e uma noite um bicho medonho e gigante, maior do que a casa, apareceu na clareira? O velho pai deu uma risadinha sacana e perguntou: — A minha filha ainda se lembra disso? Aquela história de ninar nunca saíra da mente da menina que nascida em casa com ajuda de parteiras, na noite da última chuva do inverno amazônico, e que cresceu ouvindo as histórias do bisavô “Aprígio o índio”, que era conhecedor das matas, dos caminhos e dos rios da amazônia maranhense (e que havia enganado os karaí que por ali passaram em busca de ouro). Ou as histórias do tio Eustáquio Carueira, “preto velho dos dentes de prata” que se transformava em porco caititu, tronco de árvores e tambores. Ou ainda da tia-avó, que morava sozinha, pois nunca casara, nem tinha filhos, e todos diziam que “virava onça”. Até mesmo as histórias do próprio pai que em uma noit...